Meu destino pelas minhas próprias mãos

Eu precisava penetrar numa correnteza tumultuada, sair de margens óbvias. Eu precisava mudar esse bailado, essa coreografia de passos marcados.

Perguntam-me de onde tirei tanta coragem para mudar uma vida inteira, enaltecendo meus atos. Não acredito que eu seja um exemplo de vida, apesar que sempre tem um alguém a me dizer que adoraria ter essa coragem. Não intitulo coragem, chamo de uma insatisfação absurda com os meus dias.
Em torno dos 40 anos projetei meu futuro, apesar de ter uma vida tranquila, uma bela família, numa pacata cidade no interior do Rio Grande do Sul. O que hoje é o sonho de muitos, paz e tranquilidade, para mim se delineava um ciclo vazio, uma ínfima luz e um espírito mais enrugado que meu próprio rosto. Eu precisava extinguir de dentro de mim esse sentimento quase selvagem.
Lendo Martha Medeiros me identifico onde ela diz “Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos”. Eu precisava penetrar numa correnteza tumultuada, sair de margens óbvias. Eu precisava mudar esse bailado, essa coreografia de passos marcados.
Foi doloroso, foi de lágrimas, foi sem trégua, de aflição, de humilhação, quase pânico, mas foi necessário. Precisei desvendar uma floresta selvagem, mas revitalizante e como a fênix saí de um mundo imobilizado para alçar um voo quase que no meio do nada, mas convicta que algo de muito bom estaria a me aparar.
Não tive medo do fracasso, sabia que não iria sucumbir, que não viveria de metáforas e na medida que meus dias passassem eu teria a influência de energias vindas dos céus que me dariam a possibilidade de assumir o meu rio com paixão e determinação.
Alimentei minha alma de coisas boas e nutritivas, e sigo soberanamente com minhas próprias mãos esculpindo o meu destino.

#teatirapravida

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