Sonhos apenas adiados

#teatirapravida

Nesta vida de infinitas possibilidades, nascemos. Nascemos como as faces de um diamante, e muitas formas de nossa personalidade são esculpidas pelo nosso destino. Família, amigos, escola, é a sociedade que em geral vai nos lapidando.

Nesta vida de infinitas possibilidades, nascemos. Nascemos como as faces de um diamante, e muitas formas de nossa personalidade são esculpidos pelo nosso destino. Família, amigos, escola, e a sociedade em geral vão nos lapidando.  Lembro de minha infância num lugar muito pequeno, uma cidadezinha chamada Palmares do Sul no estado do Rio Grande do Sul. Lá enfrentei preconceitos como racismo e por ser filha de pais separados. Minha mãe era servente de escola e sempre dizia para mim e minha irmã mais velha. “Quero que vocês estudem, quero algo muito melhor pra vocês do que eu tive”. Isso desencadeou uma forte reação de qualidades que estavam escondidas dentro de mim. A partir de então se criou o desejo de ser muito mais, comecei a ser lapidada com o desejo de ser jornalista. O apreço aos livros, a vontade de estudar, o desejo de compartilhar com todos o mundo visto pelo meu olhar. Quando vi pela primeira vez a jornalista Glória Maria na televisão, pensei imediatamente: Eu quero ser igual a ela. Doce ilusão. Jamais entenderei se foi o destino, se foi falta de competência, oportunidade, não sei.  Alguém certa vez disse-me: Você precisava colocar dois seres fantásticos no mundo, por isso que teus sonhos estão adiados.

Carreguei por anos essa tristeza, apesar que, ser mãe dos meus filhos é de uma plenitude imensurável. Tenho consciência que este período foi uma pausa. Naquele momento o que realmente importava eram meus filhos e eu não estava pronta para alçar meu grande voo. No relógio da vida, neste mundo acelerado os anos passaram tendo os meus sonhos cobertos por uma cortina, quietinhos, mas estavam ali. Nesta corrida desenfreada pelo amanhã, ele chegou. O que fiz aos cinquenta anos são desejos, sonhos que deveriam ter sido realizados aos dezoito. E é assim que me sinto, com dezoito, vinte anos, apesar do corpo anunciar a cada acordar que tem cinquenta e seis.

Sinto uma fome desenfreada de conhecimento, do novo, de viajar, conhecer lugares não importam se são feios ou belos, mas tem a sua história para apresentar.

Não desisto; uma inabalável determinação hoje direciona meu futuro. Continuo a lapidar-me, buscando sempre cada vez mais a purificação de sentimentos, de libertação de pensamentos pessimistas e negativos. Tenho uma missão a cumprir, a realização profissional, e vou cumprir. Não delego a ninguém esta responsabilidade, ela é minha.  Nesta caminhada que retomei há poucos dias, tento levar uma palavra de energia positiva, de força, de resgate do ser, do acreditar em si, não importando a idade que esteja. Não penso no final desta viagem, tudo tem o seu tempo certo e assim vou me renovando, aprendendo, compartilhando e vivendo de forma absoluta, mas um dia de cada vez.

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